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Reeducação da postura

Dr. Thiago Salles Gomes

Vocês já devem ter visto cavalos de salto, adestramento ou outras provas funcionais que, após serem montados, quando amarrados no palanque se esticam separando as mãos dos pés o máximo possível. Estes animais fazem uma extensão ou dorsoflexão forçada da coluna. Este tipo de atitude é denominada em medicina veterinária “posição antiálgica”, ou seja, posição para tentar evitar ou diminuir a sensação dolorosa. O que verificamos nestes animais muito freqüentemente é uma dor crônica da coluna vertebral em seu segmento lombar. Estes são aqueles animais que os cavaleiros chamam de cavalos de “lombo frio”, animais com dificuldade para engajar, ou seja, fazer flexão do lombo ou da bacia.

cavalo-postura
Quando vemos estes cavalos soltos na baia percebemos que eles alternam, com freqüência os apoios nos posteriores e que muitas vezes, ao urinar, eles levantam um dos posteriores, não fazendo a posição normal que os cavalos usam para este fim. Percebemos também uma atrofia dos músculos dorsais da coluna e muita vezes de toda a musculatura da garupa. A musculatura do pescoço se apresenta “invertida” e muitas vezes o cavalo fica “atrás” do bridão. Estes animais apresentam reação ao apertar a cilha e quando o cavaleiro monta. Muitas vezes eles tem dificuldade para reunir durante o trabalho a trote e tem uma tendência a desunir nas transições de andaduras.
No exame clínico estes animais apresentam sintomatologia semelhante à da “doença do navicular” com dificuldades na segunda fase do apoio dos membros anteriores. Quando do salto eles tendem a “flechar” e não fazer o terceiro movimento completo do salto e também não soltar os posteriores. Muitas vezes encontramos desmites do ligamento suspensor do boleto, a chamada entrecorda.
Com a cronificação das afecções loombo-sacrais muitas vezes encontraremos exostoses e calcificações dos processos espinhosos da coluna torácica, principalmente na região da cernelha. O movimento desequilibrado dos membros torácicos poderá levar à fraturas e afecções traumáticas da articulação metacarpo-falangeana, o boleto.
Muitas vezes estes animais se beneficiam do aquecimento à galope e do uso de técnicas de fisioterapia da coluna lombar e segmento lombo-sacro. As técnicas de alongamento do dorso e pernas ajudam bastante a acomodação da musculatura da coluna. Nenhuma destas terapias terá efetividade duradoura se não houver uma reeducação postural do eqüino que tem afecção da coluna vertebral em sua porção lombo-sacral. Sem a reeducação postural o animal manterá a posição antiálgica de dorsoflexão da coluna e não haverá desenvolvimento da musculatura dorsal da coluna.
Esta reeducação postural consistirá no reaprendizado do movimento a passo com ênfase no deslocamento do centro gravitacional caudamente o que se dará através da flexão das vértebras lombares e da articulação sacro-íliaca. Conforme o cavalo conseguir uma maior impulsão a passo com reposicionamento da coluna e da bacia haverá um desenvolvimento da musculatura que estava atrofiada e daí sim, o alongamento e a fisioterapia de suporte terão um resultado mais duradouro. Neste momento será importante também um ajuste das embocaduras utilizadas uma vez que animais que conseguem compensar problemas de coluna lombo-sacral tendem a apoiar mais no bridão e se beneficiam de embocaduras menos enérgicas.

SEM A REEDUCAÇÃO POSTURAL, O ANIMAL MANTERÁ A POSIÇÃO ANTIÁLGICA DE DORSOFLEXÃO DA COLUNA E NÃO HAVERÁ DESENVOLVIMENTO DA MUSCULATURA DORSAL

Dr. Thiago Salles Gomes é  Médico Veterinário, Prof Universitário e Proprietário do Hospital Veterinário Salles Gomes

Fonte: ABCPampa

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