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Focos de AIE no norte de MG levam IMA a exercer controle maior sobre a doença

Alerta aos criadores de equídeos – cavalos, éguas, muares, burros, jumentos e asininos. A partir do próximo ano, o Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA e o Ministério da Agricultura estarão intensificando o controle sanitário sobre a Anemia Infecciosa Equina – AIE em Minas Gerais. O atestado para a doença já é hoje obrigatório no trânsito de animais de um estado para o outro. Entretanto, a exigência incidirá para animais em trânsito dentro do Estado, seja para a participarão em exposições, enduros, cavalgadas, para reprodução ou outras modalidades equestres.

foto-IMA
Quem faz o alerta é a médica-veterinária da Defesa Sanitária Animal do IMA – Belo Horizonte, Dra. Valéria Maria de Andrade Almeida. Segundo ela, não há estatísticas confiáveis sobre a AIE no Estado e no país, mas é de conhecimento do órgão a existência de focos da doença principalmente nas regiões mais ao norte de Minas e, sobretudo, em Goiás, onde praticamente não existe qualquer controle.
Para evitar que a doença se alastre, independente das exigências do órgãos competentes, deveria haver uma maior conscientização por parte dos próprios criadores, o que não acontece, segundo a representante do IMA. “O proprietário de cavalos desconhece a doença e ele corre sérios riscos de perder todo o seu patrimônio. Antes, os animais ficavam mais nas fazendas. Hoje, não. Eles transitam de um lado para outro no Estado, em função de provas que participam, cavalgadas, exposições, sem contar o agravante com o advento da inseminação artificial. Muitos criadores estão comprando animais sem procedência no Estado ou fora dele a baixo custo, para servirem de receptoras, sem saber o risco que estão correndo. Esses animais deveriam ser submetidos a testes e passar por uma quarentena nas propriedades. Pode também ocorrer o risco de se adquirir a doença de cavalos de carroceiros, pois alguns não realizam qualquer tipo de controle”, ressaltou a veterinária.
Além da exigências de atestado para o trânsito de animais, o IMA estará a partir de 2002 realizando diligências em propriedades aleatórios para verificar a existência da doença. Caso sejam detectados casos de AIE em determinada propriedade, essa será interditada e os animais soropositivos sacrificados. Também serão realizados testes nas fazendas vizinhas.
Os criadores que desejarem se antecipar poderão procurar o IMA para proceder aos testes de Imuno Difusão em Agár Gel, mais conhecido com Teste de Coggins, ou os laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura. As amostras contendo 2 ml de soro sangüíneo, só poderão ser coletadas por médico veterinário. “Ele deverá preencher uma resenha com o nome do cavalo, proprietário, pelagem, raça, local e particularidades do animal. Antes de assinar a ficha, o veterinário terá que pensar duas vezes. Hoje em dia é uma pratica muito comum os próprios tratadores realizaram essa coleta e isso não será aceito. A responsabilidade cairá sobre o veterinário caso haja alguma adulteração.”
Atualmente, o teste de Coggins custa em torno de R$ 15,00. Em função de uma demanda maior pelo exame que acontecerá a partir do próximo ano, Valéria sugere que os criadores de equídeos se organizem para negociar com os laboratórios.
No Brasil, o primeiro caso diagnosticado de AIE ocorreu em 1967, com base em lesões necropsiadas em um cavalo no Jockey Clube do Rio de Janeiro. O comportamento do vírus da AIE tem sintomas muito parecidos com os da AIDS. Por isso, a doença é conhecida como AIDS Equina.

A AIE de forma didática
Dra. Valéria Maria Andrade Almeida
A Anemia Infecciosa Equina é uma doença que afeta somente aos equídeos, não é contagiosa para o homem e tem sua distribuição mundial. O comportamento do vírus da AIE promove sintomas muito parecidos com os da AIDS e, segundo os cientistas, o dia que se descobrir a cura para uma dessas doenças, se descobrirá para a outra.
O cavalo doente é o principal elo da cadeia e a transmissão da doença se dá através da transferência de sangue entre os animais. O animal positivo para AIE, se não morrer ou for abatido, carregará a doença para o resto da vida, ou seja, ela não tem cura.
A principal forma de transmissão é através de picadas de insetos, principalmente, a Mutuca e a mosca de estábulo. Eles picam o animal e retransmitem a AIE. Num país tropical como o nosso seria praticamente impossível exterminar esses insetos. O vírus permanece no vetor no período de 30 minutos a 4 h. Em condições de vento, estudos comprovam que essa mosca pode percorrer até 10km.
Outra forma mais comum de contágio é através de materiais infectados: agulhas, material cirúrgico, esporas, arreios, sondas nasogástricas, material de casco. As menos comuns, mas procedentes, são a transmissão venérea, transplacentária e através do colostro. O período de incubação da doença – da penetração do vírus no organismo até a apresentação dos primeiros sintomas – varia de 6 a 70 dias e, em média, de 15 a 20 dias.
Os sintomas variam de acordo com a carga e a intensidade da mostra viral. Vai depender da resistência do hospedeiro e de fatores de tensão ambiental como, por exemplo, o estresse. Portanto, num quadro mais evidente da doença, as principais manifestações são febre alta entre 40 e 41ºC, edemas na região ventral, anemias e quadro de anorexia com perda de peso. Além disso, o animal pode apresentar petéquias sublinguais (hemorragias na forma de pontos na língua), hemorragias nasais, ou pode não apresentar sintoma algum. E esse é maior problema. Muitos animais se recuperam em uma semana. Alguns têm recaídas, porém, depois de um ano, o animal tende a ficar assintomático.
As classificações de acordo com o grau de intensidade dos sintomas são hiperaguda, sub aguda, aguda, crônica e latente. A forma latente é a mais grave, pois os sintomas não aparecem. A hiperaguda ocorre normalmente no primeiro contato com o agente. Já no estágio crônico, ocorrem poucas indicações clínicas e o pseudo quadro de que o cavalo se curou.
A AIE, a despeito dos incrédulos, existe e pode estar muito perto de quem cria. A doença não é uma prioridade para o governo, pois existem outras bem maiores. De acordo com a legislação brasileira de saúde animal a AIE é uma doença de notificação obrigatória. Portanto, quem tiver conhecimento sobre animais doentes deve denunciar aos órgãos de defesa animal. O caso será levado ao IMA e ao Ministério da Agricultura e o animal sacrificado e a propriedade interditada até que a doença esteja regionalmente sobre controle.
AIE sob controle em BH para animais de carroceiros
A hipótese de uma transmissão da AIE a partir de animais utilizados por carroceiros pode ser hoje praticamente descartada em Belo Horizonte. A afirmação é da Dra. Maristela Palhares, professora adjunta do Departamento de Clínica e Cirurgia da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora do Projeto Carroceiro. Segundo ela, nos anos de 1998, 1999, incluindo alguns meses de 2000, quando ainda haviam verbas disponíveis, o projeto realizava a coleta de sangue e o exame de sorologia para a AIE. “Tivemos que interromper os exames para a AIE, por falta de recursos. Nesses anos só constatamos a presença de um animal soropositivo para a doença. Ele havia sido adquirido no sul da Bahia, norte de Minas e foi sacrificado. Como foi um caso único entre mais de mil, a Universidade dispôs para o carroceiro um outro cavalo. Teoricamente, por lei, o Ministério deveria repor esse animal, já que o sacrifício em caso obrigatório, vem acompanhado de indenização. Bom, não estou bem certa de como isso vem funcionando em Minas Gerais”, comentou.
Projeto Carroceiro: bom para o proprietário, animal e para a comunidade
O Projeto Carroceiro surgiu inserido em um projeto maior, o projeto Correção Ambiental e Reciclagem com Carroceiros de Belo Horizonte, através da parceria entre a UFMG, SLU e a Administração Regional da Pampulha. O objetivo: buscar a melhoria da qualidade de vida e de trabalho dos carroceiros – segmento responsável pelo transporte de grande parte do entulho, terra, podas e material doméstico descartado.
Indiretamente ele vem contribuindo para o bem-estar da sociedade em geral. O projeto visa conscientizar os carroceiros quanto à sua importância sócio-econômica e dar assistência médico-veterinária aos animais. Conscientes e com animais saudáveis, eles poderão contribuir ainda mais para o melhor aproveitamento do entulho e sua correta destinação. Segundo Maristela, hoje a prefeitura gasta US$ 15 por tonelada para retirar o material jogado em local impróprio, ao passo que se ele fosse depositado em local apropriado teria um custo de US$ 5.
Para viabilizar o projeto, foram idealizadas as URPV – Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes. A cidade conta hoje com 14 URPVs espalhadas, sendo que o ideal seriam de 23 a 25. O entulho é recolhido pelos carroceiros e depositado nessas unidades. Mais tarde, tem sua destinação final: a uma Usina de Reciclagem instalada no bairro Santa Lúcia.
Na medida em que o projeto foi evoluindo, ele ganhou a adesão dos carroceiros. De acordo com estimativas da UFMG, existem em Belo Horizonte hoje 10 mil cavalos e 5 mil carroceiros. “Hoje temos 1.400 cavalos e cerca de 1.020 proprietários cadastrados” quantificou Maristela.
O projeto não pára por aí. Há todo um levantamento social realizado através de questionários, com orientação de profissionais da Fafich – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG. Através desse trabalho é possível saber o número de familiares, de que setor produtivos eles vieram, renda mensal etc.
A participação da Escola de Veterinária da UFMG
Em se tratando ações veterinárias o projeto realiza palestras educativas sobre vários temas e intervenções veterinárias, dentre as quais, vacinação contra raiva; controle parasitológico, sorologia para AIE e Leptospirose, exames ginecológicos (controle folicular, ultra-sonografia e diagnóstico de gestação), inseminação artificial de fêmeas com sêmen oriundo de garanhões de tração (raças Hafingler e Jumento Pêga). Também é feito o levantamento das condições sanitárias e manejo dos animais, cadastramento deles pela marcação com nitrogênio líquido e confecção da “carteirinha de identificação”; além de cursos de manejo de equinos para carroceiros.
Atualmente, alguns testes, como o de Coggins, para detectar a AIE, estão suspensos por falta de recursos, mas, segundo a coordenadora do projeto, tudo indica que eles serão retomados quando for efetivada parceria com Fapemig e BNDES. A Escola de Veterinária além das parcerias que vem buscando está aberta a doações para manter o projeto, desde feno à rações e medicamentos de uso veterinário.
Resultados com o Projeto
Depois da implantação do projeto, o acesso aos serviços e à tecnologia gerados pela Universidade tem incentivado o envolvimento dos carroceiros e a busca por novos conhecimentos, pois além do controle clínico, há uma melhoria na performance e capacidade de trabalho dos animais. Também houve uma definição de pontos específicos para deposição de entulhos e a conscientização dos carroceiros quanto ao uso desses locais tem alterado significativamente a qualidade de vida de diversas regiões de Belo Horizonte.
A contratação de serviços dos carroceiros cadastrados não oferece mais risco de multa ao contratante, pois o entulho depositado nas Unidades de Recebimento é reciclado e utilizado na execução de obras públicas em Belo Horizonte.

Fonte: ABCPampa

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