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A Importância do Sal Mineral na Nutrição dos Equinos

Adalgiza Souza Carneiro de Rezende

Sal na dose certa, só com análise das gramíneas. 
Uma alimentação adequada para os equinos é fator vital para o bom desenvolvimento da criação. Sem uma dieta correta, estes animais podem apresentar os mais diversos problemas. Nesse contexto, os minerais têm importante participação na formação do esqueleto e nos processos fisiológicos que acontecem durante toda a vida de um equino.

Como as pastagens têm sua composição em minerais variável, de acordo com a qualidade do solo onde estão implantadas, é recomendado que seja formulado um sal de acordo com análise previa das gramíneas presentes no haras. Para Adalgiza Souza Carneiro de Rezende, professora de equinocultura da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutorada em Nutrição Animal, o assunto não é tão simples assim. Num período recente de tres meses ela chegou a atender quatro criatórios no país – um em Pernambuco, outro em Florestal (MG), um terceiro em Montes Claros (MG) e o quarto em Betim (MG) – com problemas de deficiência de mineral na alimentação. O que ocorre, segundo ela, é que em muitos casos há um desgaste excessivo do solo que acaba comprometendo os níveis dos minerais. “Tem também o criador que coloca número excessivo de animais em uma área pequena, exigindo muito do solo, que fica necessitado de reposição (adubação), o que na maioria das vezes não é feita. O solo então, deficiente, não tem como passar minerais para as gramíneas que serão ingeridas pelo cavalo. Adalgiza afirmou que já analisou os minerais das gramíneas de duas fazendas vizinhas e uma apresentou excelentes níveis, enquanto a outra estava completamente deficitária. Portanto, o ideal é que as gramíneas de cada fazenda sejam analisadas separadamente”, recomendou.
Ela classificou a utilização do sal vendido normalmente no comércio como “quebra-galho”. “Esse tipo de sal é formulado para uma média de deficiência mínima. O criador compra esse sal e acha que está fazendo a coisa ideal, se ele não suprir as exigências do rebanho e algum problema acontecer, eles não pensam nunca na deficiência de minerais, pois acreditam que os animais estão ingerindo o que necessitam”, Uma boa orientação, segundo ela, é ficar atento aos pastos de baixadas (brejos). “Eles normalmente apresentam excesso de alumínio que indisponibilizam o cálcio, levando à sua deficiência”. Outro agravante, segundo Adalgiza, são as gramíneas indicadas para clima tropical como o nosso, a maioria delas possui excesso de oxalato, que indisponibiliza o cálcio, pois formam compostos indissolúveis com esse mineral. É o caso dos pastos de braquiara humidícula, setária, tanzânia, transvala, tangola dentre outros. As gramíneas que normalmente não costumam ser problemática para os equinos por não apresentarem altos níveis de oxalato, são tifton, coast cross, gigs e estrela africana (branca).
Conforme a professora, nada substitui a análise do solo para a formulação do sal. O cálcio é um dos mais importantes minerais que devem ser ingeridos pelo cavalo e sua deficiência ou excesso na alimentação pode provocar transtornos em quase todas as fases de vida do equino  pois alem de fazer parte do esqueleto e ser fundamental para o crescimento do potro, é também, fundamental para o a égua que se encontra no terço final da gestação, pois nesta fase acontece 70% do desenvolvimento do feto. As necessidades de cálcio para a égua durante a lactação também aumentam muito e para os equinos que estão trabalhando esse mineral é também fundamental, pois é exigido durante a contração muscular. “É muito importante saber a relação entre os níveis de cálcio e de oxalato da gramínea. Para que o oxalato não indisponibilize o cálcio da gramínea, essa relação tem que ser maior que 0,5. Muitas vezes, a gramínea tem alto teor de oxalato, mas se foi plantada em região calcária e a relação entre cálcio e oxalato for maior que 0,5 os problemas não vão acontecer”, orientou.

Cara inchada é o ultimo estágio da carência de cálcio.
O sal mineral é importante por conter elementos indispensáveis, ausentes ou presentes em quantidades pequenas nas gramíneas, como o cálcio, fósforo, zinco, cobre, etc. A carência ou o excesso desses minerais na alimentação dos eqüinos pode provocar sérios danos e prejuízos aos criadores. Os sintomas se refletem na formação dos ossos, tendões, no baixo rendimento para o trabalho e na vida reprodutiva dos animais. Por exemplo, o último e mais grave sinal da deficiência de cálcio na dieta de um cavalo se manifesta através da “cara inchada”, um sintoma que o animal apresenta quando, para suprir a deficiência de cálcio na corrente circulatória, passa a retirá-lo do próprio osso, o que leva a formação de um tecido fibroso no local e em estágio avançado da deficiência de cálcio esse sintoma aparece e é irreversível. Quando os animais manifestam “cara inchada” é sinal de que já apresentaram inúmeras outras complicações que passaram despercebidas. Os sintomas são mais evidenciados naquelas categorias que necessitam de maiores quantidades de cálcio na dieta, como éguas no final da gestação e em lactação e potros em crescimento, Antes do aparecimento da “cara inchada” pode acontecer das éguas caírem pouco antes do parto e se apresentarem sem força.
No potro, em desenvolvimento no útero da égua, a deficiência de minerais pode acarretar sua má formação. Vale lembrar também que o potro cresce muito rapidamente durante seu primeiro ano de vida. Isso significa que nesta fase ele tem uma necessidade muito grande dos minerais ligados à formação óssea.
O equino em trabalho pode demonstrar que está sofrendo deficiência de minerais quando apresenta o andar travado e curto, pois o cálcio é fundamental na contração do músculo ou quando apresenta queda do desempenho, pois além do fósforo ser integrante da molécula de ATP, que fornece energia ao animal, alguns minerais são fundamentais no metabolismo dos carboidratos, que fornecem energia ao equino em trabalho.
Deve se considerar também a ingestão de sal mineral pelos equinos  pois eles são muito seletivos. Para que ingiram o que necessitam, torna-se necessário misturar ao sal, alimentos palatáveis como fubá ou melaço. Essa relação tem que ser maior que 0,5, explicou”.
Outro problema sério na avaliação de Adalgiza é a conscientização do tratador para o fornecimento diário de sal. “Em virtude da quantidade relativamente pequena, ingerida pelos animais, os tratadores acham que o cavalo não precisa do mineral e acabam deixando-o de lado, quando na verdade, deveriam deixá-lo disponíveis à vontade, todos os dias do ano, para que eles consumissem de acordo com sua necessidade. Esse sal deve ser colocado em cochos cobertos, para evitar seu desperdício nos dias de chuvas”, recomendou.
Para solucionar os problemas decorrentes da deficiência de mineral no plantel equino diversos haras já fornecem um sal mineral formulado a partir da análise das gramíneas presentes na área de criação.
Alguns sinais de que o rebanho está recebendo mineralização inadequada
Potros apresentam ossatura fina e leve
Problemas de ligamentos ou tendões que provocam flexão exagerada das quartelas nos animais, principalmente quando se movimentam.
Problemas reprodutivos.
Potros apresentando má formação, ao nascimento.
Potros pequenos e com problemas de aprumos, principalmente com jarretes fechados (cambaios)
Animais com baixo desempenho no trabalho
Dificuldades de locomoção (dificuldades de articulação dos membros)
Claudicação (manqueira) que se alterna entre os 4 membros (quando fica difícil definir em qual membro está localizada a causa da manqueira)
A administração incorreta de sal mineral é um problema de rebanho e não especificamente de um animal.
Necessidade diária de minerais pelas diversas categorias de equinos
(com peso adulto em torno de 400 kg)

Fonte: ABCPampa

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