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A Etnodiversidade e a Raça Pampa

Prof. Sérgio Lima Beck

Na segunda metade do século XX a Ecologia se tornou uma nova maneira de civilização ocidental encarar o mundo e, inclusive, se firmou com a ciência mais importante para o futuro da vida do nosso planeta. Depois disso a própria ONU tem promovido reuniões internacionais para tratar dos diversos temas que envolvem o equilíbrio ecológico na Terra. Um dos exemplos mais recentes foi a ECO-RIO-92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Brasil com a presença dos chefes de praticamente todos os países do mundo. De lá para cá, certos conceitos como qualidade de vida, sustentabilidade ecológica, custo ambiental, desenvolvimento sustentável e biodiversidade, têm ganho, cada vez mais, espaço nas preocupações mundiais e nos planejamentos governamentais.

CAVALO-PAMPA-DOIS

Ecologicamente falando, país rico é aquele que possui bastante biodiversidade. Ateia da vida, isto é, a Natureza, promove a diversidade de espécies e até de raças, porque para o equilíbrio geral, isso é bom. O contrário torna o equilíbrio frágil. Também sobre esta ótica, socialmente falando, rico é o país democrático que não discrimina etnias e valoriza a sua diversidade cultural. Como dizia Nelson Rodrigues, “a unanimidade é burra”. Em termos de Pecuária, rico é o país que explora diversas culturas animais e em cada cultura várias raças. Mas voltando à Ecologia, num contexto bem amplo, a uniformidade, ou seja, a falta de diversidade, sob vários aspectos é biológica, ambiental, cultural e, porque não dizer, geneticamente pobre.
Uniformidades X Diversidade. Historicamente o homem, principalmente o civilizado ocidental que é etnocêntrico, tem a tendência de reduzir a variação natural das coisas e de impor uma única visão de progresso sobre todas as demais. A Agricultura moderna, por exemplo, baseada na mecanização pesada, na adubação química, no uso intensivo de agrotóxicos e no cultivo massivo de poucas espécies (grandes monoculturas) é fruto de uma visão imediatista e simplificadora da natureza e uma tendência suicida que aos poucos parece estar sendo, felizmente, revertida. Guardadas as devidas proporções e as devidas diferenças, o mesmo se pode dizer de uma raça cujos integrantes são muito aparentados. Explicando melhor, á primeira vista a idéia de diversidade parece contrária a idéias de raça, entendida esta última como grupamento étnico específico, hereditariamente uniforme, constituído de população de indivíduos semelhantes dentro de uma mesma espécie. Mas uma raça formada pela própria natureza normalmente não possui indivíduos muito aparentados. Isto porque a consangüinidade estreita, se por um lado tem a faculdade de aproximar e fixar certas características, por outro lado tem o inconveniente de reduzir a variabilidade genética da população em questão. E com a redução da variabilidade genética se reduz também o visor heterótico, a fertilidade, a rusticidade, a adaptabilidade e a possibilidade do surgimento de novas combinações gênicas favoráveis. Uma raça cujos indivíduos têm origens muito comuns e formas corporais muito semelhantes é de fácil identificação, mas é também uma raça com reduzido potencial de melhoramento. Toda raça tem que provir de troncos étnicos distintos, do contrário não existiriam raças. Dentro das espécies é vantajoso existirem diversas raças, e dentro das raças é vantajosas diversas linhagens. É da combinação variada de diversos genótipos que surgem novos valores ou novas raças. Claro que junto ou seqüencialmente precisa haver isolamento geográfico e seleção natural no caso das raças naturais ou zoológicas, ou então haver pressão seletiva dirigida pelo homem, no caso das raças zootécnicas. O grande feito na formação de qualquer nova raça é conseguir juntar materiais genéticos diferenciados, para gerações à frente se chegar a uma ou algumas qualidades com homogeneidade relativa e fixidez razoável. E a virtude está em chegar lá sem se uniformizar demasiado. Em outras palavras, sem perder muita variabilidade genética. Como em quase tudo, a virtude está em saber dosar sem exageros. E quando se parte de troncos ou origens étnicas bem variadas, partimos de um material genético mais rico. É o que acontecem com a raça Pampa, fruto de várias outras, exceto Paint, Appaloosa e QM. Assim como a biodiversidade tem seu valor devido, entre outras coisas, as possíveis descobertas futuras de utilidades dos seus componentes ou da combinação entre eles, também a diversidade étnica dos troncos formadores de qualquer nova raça tem seu valor justificado pela maior riqueza de variabilidade genética da população racial descendente. Conseqüentemente, de maior possibilidade de evolução futura. Biodiversidade é sinônimo de equilíbrio e de abundância de vida. Por sua vez etnodiversidade, se bem escolhida, também é sinônimo de equilíbrio, de opções e de abundância de qualidades.
A riqueza do Pampa. Vale relembrar o conceito de raça em Zootecnia. Raça é qualquer população com controle genealógico oficial interno, população esta que deve apresentar uma ou algumas características fenotípicas (morfológicas e/ou funcionais) em comum e herdáveis com razoável fixidez. Na Pampa a condição de controle genealógico é exercida pela ABCPAMPA. A condição de características funcionais em comum é trilhada pelas várias provas oficiais obrigatórias em todas as exposições. A característica ou características morfológicas em comum são buscadas pela referência do standard oficial que norteia os criadores e são marcadas, entre outras coisas, principalmente pelas malhas ou manchas brancas de pelagem conjugada de todos. A razoável fixidez na herdabilidade da ou das características em comum é representada pelo nascimento de 75%, ou mais, de crias com a pelagem pampa. Mas a maior riqueza da raça Pampa, além da sua pelagem peculiar, variada é atrativa, está justamente na sua grande etnodiversidade das raças que lhe deram origem. Exatamente por isso é a raça com maior potencial de melhoramento genético.
*Sérgio Lima Beck é membro do quadro oficial de árbitros da ABCPAMPA, titular do próprio Picadeiro (doma, treinamentos, cavalgadas, pousada) e leciona no curso superior de “Ciências Equinas” na PUC – PR. Contatos (041) 3031-1290 sbeckequinos@yahoo.com.br

Fonte: ABCPampa

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