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A escolha do melhor capim para equinos

André Galvão Cintra 

A pergunta que todos sempre fazem e que não é tão simples de se responder é qual o melhor capim para os equinos.

Os equinos são, pela sua natureza e evolução animais herbívoros, isto é, têm como alimentação fundamental volumoso, que pode ser de origem de gramíneas ou leguminosas.

Esse volumoso deve ser fornecido relativamente à vontade, deve ser de boa qualidade e adequado às necessidades da categoria a que o animal pertença, quer seja manutenção, crescimento, reprodução ou trabalho.

Os equinos têm uma alta capacidade adaptativa às mais diversas variedades e tipos de volumosos.

Cavalos que evoluíram em regiões com pouca qualidade e variedade de volumosos podem se adaptar à ingestão de alimentos lenhosos, de baixa qualidade nutritiva. Da mesma forma, os cavalos Pantaneiros se adaptaram à ingestão de ervas submersas, tendo a capacidade de capturar e aproveitar os alimentos que ficam boa parte do ano embaixo d’água, assim como os cavalos Lavradeiro de Roraima, criados a campo em uma região com grandes alternâncias climáticas, que em determinadas épocas do ano têm sua alimentação rarefeita.

Podemos oferecer ao cavalo uma grande variedade de alimento volumoso que ele, se adaptado, irá aproveitar bem os nutrientes. Essa adaptação dá-se através de gerações de animais vivendo na mesma região e que, para sobreviver, devem se alimentar do que está disponível.

Entretanto, essas formas de alimentação não são as mais comuns à grande maioria dos eqüinos do Brasil.

Além disso, as exigências das criações eqüinas nos dias de hoje, quando se valoriza animais de grande porte, onde se deseja um potro com crescimento diferenciado, grande massa muscular, com elevado potencial para salto, resistência, beleza, etc., obriga-nos a oferecer ao cavalo alimentos de qualidade superior, pois somente assim nossas exigências serão cumpridas.

Claro que se ofertarmos ao cavalo alimentos “comuns”, sem grandes diferenciais, ele irá sobreviver, a égua irá gerar potros, porém esses potros serão de padrão de estatura e desenvolvimento inferior se ele tivesse recebido um alimento diferenciado, assim como o cavalo de esporte poderá realizar a prova, porém dificilmente terá destaque entre outros que sejam alimentados adequadamente.

Desta forma, não podemos alimentar, os cavalos de qualquer forma, mas sim procurar oferecer-lhe alimento volumoso de qualidade superior.

O Brasil é um país dito continental, isto é, possui dimensões de tal forma que mais parece um continente que um país. Isso gera diversidades geográficas, climáticas, populacionais, etc. o que faz com que as ofertas e necessidades de determinada região sejam diferentes de outras regiões em outro extremo.

Por exemplo, animais criados na região Sul do país, com clima temperado, aonde chega a nevar em algumas épocas do ano, possuem necessidades diferentes de animais criados na região Nordeste, com clima tipicamente tropical, onde 23 graus de temperatura é considerado frio.

Da mesma forma, culturas cultivadas em clima temperado, com solo de ótima qualidade, índice pluviométrico constante são diferentes de culturas cultivadas em clima tropical, com solo de baixa qualidade nutritiva para a planta e com índice pluviométrico que oscila entre a seca por alguns meses e chuvas intensas em outros, como ocorre no Sul e Nordeste, respectivamente.

Criadores e proprietários de cavalos constantemente questionam qual o melhor capim para cavalo, independente da região onde se cria. Não se pode responder a essa questão dizendo que o melhor capim é esse ou aquele.

O melhor capim para cavalo começa com aquele que seja bem adaptado às condições climáticas da região. Que seja resistente à seca e pouco exigente em solo para a região Nordeste. Que seja resistente à geada e ao frio e tolerante a solo úmido, para grande parte da região Sul. Dificilmente o mesmo capim tolera esses extremos.

Desta forma, devemos buscar o auxilio de um técnico local, um agrônomo da Casa da Agricultura, da CATI, EMATER ou órgãos semelhantes que possa auxiliar na escolha do melhor alimento para cavalos.

Claro que existem alguns requisitos básicos para a escolha deste capim. Deve possuir excelente palatabilidade para os eqüinos, tolerar pisoteio se for para pastagem, ou tolerar cortes freqüentes se for para capineira ou campo de feno; deve possuir teor adequado de proteína, entre 8 e 11% e possuir valores de fibras adequados para o bom trânsito intestinal nos eqüinos.

O cavalo possui necessidades mínimas em fibra para garantir a integridade física e psicológica. Integridade Física para suprir as necessidades mínimas do cavalo que lhe garantam um aporte de nutrientes suficientes para desempenhar as funções a que se destinam. Integridade Psicológica por garantir um tempo de ocupação mínimo, próximo ao que o animal tem quando em liberdade, entre 13 e 16 horas. Essas fibras são compostas de fibras solúveis, que fornecem nutrientes essenciais ao animal e fibras insolúveis, essenciais para o bom trânsito do alimento no aparelho digestivo e para a boa formação das cíbalas (fezes do cavalo). Porém o teor de fibras insolúveis não deve ser superior a 18% da dieta, pois isso pode acarretar problemas aos animais, desde baixo aproveitamento do alimento até cólicas. O teor de fibras também está relacionado ao manejo do capim, isto é, o momento em que se disponibiliza esse ao animal. Se for muito novo, possui pouco teor de fibra, se velho, a qualidade da fibra é ruim.

Desta forma, os alimentos volumosos para eqüinos devem também levar em consideração o ponto de corte ideal, quer seja para o pastejo, quer seja para o corte propriamente dito, para fenação ou capineira.

A escolha do capim então deve ser feita baseada nesses fatores: adaptabilidade geo-climática, palatabilidade, teor de proteína, teor de fibra total e teor de fibra insolúvel.

Além disso, outra condição fundamental para o plantio e manejo de uma pastagem ou capineira para eqüinos é lembrar que “Pasto é Cultura”, isto é, possui exigências de solo, adubação e água como qualquer cultura; para ser de boa qualidade, deve ser implantada após a adequada correção do solo, adubação especifica para cada variedade e na época correta, com índice pluviométrico adequado para a boa implantação no solo.

Abaixo alguns exemplos de capins preferenciais para eqüinos, mas que devem ser avaliados conforme adaptabilidade regional.

* Coast-cross: de excelente palatabilidade, adaptabilidade em diversas condições, valores adequados de proteína e fibra. De fácil manejo tanto para pastejo, como para campo de corte. É de implantação mais complicada por ser o plantio apenas por mudas.
* Tifton: Variação do Coast-cross, com excelente palatabilidade, adaptabilidade em diversas condições, valores adequados de proteína e fibra. O manejo deve ser mais atento, pois passa do ponto de corte com mais facilidade que o coast-cross. É de implantação mais complicada por ser o plantio apenas por mudas.
* Jiggs: Variação dos anteriores, com excelente palatabilidade, adaptabilidade em diversas condições, valores adequados de proteína e fibra. De fácil manejo, pois possui menos talo, sendo mais difícil passar do ponto de corte. Produz menos massa por área. É de implantação mais complicada por ser o plantio apenas por mudas.
* Rhodes: Possui ótima palatabilidade, adaptabilidade variável, bons valores de fibra e proteína. De fácil manejo e implantação, pois o plantio é por sementes.
* Colonião: Variedade mais conhecida dos capins tipo Panicum, com boa aceitação pelos animais, com proteína mediana. De fácil manejo e implantação, sendo o plantio por sementes ou mudas.
* Aruana: Variedade de menor porte dos capins tipo Panicum (como Colonião), com ótima aceitação pelos animais, bons valores nutritivos, com proteína mediana. De fácil manejo e implantação, sendo o plantio por sementes.
* Tanzânia: Variedade de menor porte dos capins tipo Panicum (como Colonião), porém maior que o aruana, com ótima aceitação pelos animais, bons valores nutritivos, com proteína mediana. De fácil manejo e implantação, sendo o plantio por sementes.
* Capim Elefante: Nome genérico dos capins de grande porte, tendo como variedades o napier e cameroum, entre outros. São ótimas opções como capineira, sendo restrito o uso como pastejo pelo seu porte elevado. Possuem bons níveis nutritivos, se cortados no ponto certo, entre 1,60 e 2,50 m de altura. Se a planta estiver com menos de 1,60m de altura, possui teores muito baixo de fibra, podendo causar diarréia. Se estiver com mais de 2,50m de altura, possui teores muito elevados de fibra insolúvel, com baixo aproveitamento dos nutrientes, podendo ainda causar cólicas.

Muitos outros tipos e variedades de capins ainda podem ser utilizados, como Pangola, Capim Gordura, Jaraguá, Transvala, Ramirez, etc., porém deve-se sempre levar em consideração a adaptabilidade à região, palatabilidade para eqüinos e seu valor nutritivo antes de sua escolha.

André Galvão Cintra

MV, Prof. Esp.

Fonte: ABCPampa

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